O Que Tratamos? » Alterações Congênitas - Espinha bífida ou mielomeningocele

Espinha bífida ou mielomeningocele:
» Definição
A espinha bífida é uma malformação congênita decorrente do fechamento inadequado do tubo neural, que envolve tecidos sobrejacentes à medula espinhal, arco vertebral, músculos dorsais e pele e representa 75% das malformações do tubo neural.
Esta anomalia ocorre no primeiro mês da gravidez e engloba uma série de malformações. O não fechamento do tubo neural produz defeitos em graus variáveis, podendo afetar todo o comprimento do tubo neural ou limitar-se a uma pequena área. A espinha bífida é classificada em espinha bífida oculta e espinha bífida cística, sendo as duas formas principais a meningocele e a mielomeningocele.
A mielomeningocele é caracterizada por protusão cística, que contém a medula espinhal e meninges que ocorre em aproximadamente, 1:1000 nascidos vivos e é considerada como a segunda causa de deficiência motora infantil.

» Causa
A causa da mielomeningocele é desconhecida, mas os fatores genéticos e ambientais têm papel significante. Entre os fatores ambientais estão: diabetes materno, deficiência de zinco, ingestão de álcool durante os primeiros três meses de gravidez, fatores socioeconômicos, alimentos contaminados com inseticidas, drogas anticonvulsivantes, agentes anestésicos, dentre outros. A carência de ácido fólico é o mais importante fator de risco.

» Quadro
A mielomeningocele afeta os sistemas: nervoso (hipotonia muscular), músculo-esquelético(déficit motor e sensitivo)e genito-urinário(alterações do controle esfincteriano). A gravidade e o grau de inabilidade dependem do local em que ocorreu a lesão medular, bem como, de outros fatores neurológicos.
A mielomeningocele pode ocorrer em qualquer região da medula, mas 75% são de localização lombo-sacra. A criança com mielomeningocele pode apresentar incapacidades crônicas graves, como paralisia dos membros inferiores, hidrocefalia, deformidades dos membros e da coluna vertebral (escoliose), disfunção vesical, intestinal e sexual, dificuldade de aprendizagem e risco de desajuste psicossocial.

» Tratamento
O tratamento de crianças com mielomeningocele requer intervenção clínica e cirúrgica precoce. A cirurgia de correção da mielomeningocele tem como finalidade diminuir a exposição da medula espinhal e raízes ao meio ambiente e a perda liquórica, o que possibilita a reparação nervosa e melhora funcional. Os maiores problemas estão relacionados com a possibilidade de levantar, deambular e controlar voluntariamente os sistemas vesical e intestinal. O enfoque terapêutico visa à independência funcional da criança, principalmente, no que se refere à deambulação.

» Fisioterapia
A fisioterapia tem papel fundamental na independência funcional da criança com mielomeningocele. A complexidade e a diversidade do quadro clínico apresentado pelas crianças com mielomeningocele demandam avaliação fisioterápica criteriosa, visto que é necessário estabelecer programa terapêutico adequado para desenvolver o máximo de sua funcionalidade.
O cuidado da criança portadora de mielomeningocele exige da família não somente a readaptação no cotidiano familiar, mas também o aprendizado de cuidados como: cateterismo vesical, administração de medicamentos de uso continuo, prevenção de lesões de pele, uso de órteses, dentre outros.
O acompanhamento deve começar rapidamente e ser dividido de acordo com as fases do indivíduo. No período neonatal é importante o fisioterapeuta avaliar a sensibilidade, motricidade, postura em repouso, movimentos ativos, anormalidades,deformidades e reflexos. Os estímulos através de posturas e manuseios são importantíssimos e devem ser feitos diariamente, até pela mãe, que ao carregar a criança de maneira correta, começa a estimular o desenvolvimento motor adequado. Nessa fase, as deformidades mais esperadas são o pé eqüinovaro e a luxação de quadril. Qualquer movimento presente deve ser observado, estimulado, e se houver qualquer sensação nos membros inferiores, isto pode ser usado para estimular o movimento, através de técnicas específicas de integração sensorial e Bobath.
No período pré-escolar e escolar o fisioterapeuta deve pesquisar os grupamentos musculares ativos para ter conhecimento daqueles que poderá utilizar para promover a independência e de quais recursos precisará. A utilização de estratégias da facilitação neuromuscular proprioceptiva (Kabat) se mostra eficiente para este fim A criança deve ser estimulada diariamente e colocada em todas as posições para promover desenvolvimento das demais musculaturas. A posição ortostática traz benefícios além do físico. A criança pode preferir usar a cadeira de rodas para facilitar seu deslocamento, e desse modo, cabe ao fisioterapeuta ensinar-lhe as habilidades necessárias para a sua independência.Nessa fase, os problemas associados à coluna vertebral voltam a preocupar e pode ser necessário o uso de órteses. Ressalta-se que, a atuação do fisioterapeuta deve acontecer de forma integrada aos demais profissionais da equipe multidisciplinar.








Av. N. S. Copacabana, 1018 | Salas 1103 e 1104 - Copacabana - RJ
Tel: (21) 2513-3167 | 98499-1301
contato@espacoemmovimento.com.br